Sepultaram Zorro. Caciques acabam lava-jato e viram madre Tereza

A suspensão do processo no Legislativo contra Michel Temer, coroado com o retorno de Aécio Neves ao Senado da República, desmonta a fatídica operação Lava-Jato, devolvendo à maioria dos envolvidos, o status de cacique da cena política nacional, sem que sofreram os rigores das medidas judiciais. Foi desmontado a idéia de que cadeia é lugar para os três P’s do organismo social brasileiro que limita os rigores jurídico a pobre, preto e puta.

Tomaram o cavalo e a espada do Zorro, Rodrigo Janot, que vai se recolher a um abrigo de aposentados e não mais poderá se apresentar no teatro da mídia, ficando em anônimo status de membro da platéia da cena pública brasileira sem poder se manifestar no espetáculo político restando-lhe ser apenas ex-mocinho cercado pela volúpia dos bandidos sem peias nem aflições, não mais sujeitos ao dedo em risco da acusação de crimes cometidos na construção do poder e de suas fortunas.

Raquel Dodge assumirá o papel de Janot sem grandes aflições de seu antecessor, de sempre estar bem na fita, sem angustia maior sobre como sua imagem vai aparecer na televisão, cujo entusiasmo informativo vincula-se a imagem de sangue jorrando, pois, no jornalismo “bad news is good news”, ou seja, a má notícia é a boa notícia. Assim, quanto maior a desgraça melhor é a manchete.

Dona Raquel, antes de assumir, fez um visita protocolar ao presidente da República, logo condenada pela mídia frustrada por não conseguir derramar o sangue de Temer como fez jorrar o de Dilma na sua cassação política, motivada pelas pedaladas, que ninguém até hoje sabe o que é. Foi traduzida pelo vulgo, simplesmente, como roubo, ou melhor, a massa de pronto diz que ela roubou o povo, embora ela é que foi vítima de furto, pois lhe tiraram o juízo, como o demonstrado pelos seus discursos absurdos e suas frases absurdas típica de doença ou demência senil.

Aliás, a ficha criminal dos acusadores no legislativo não é melhor do que a dos acusados, portanto lá não se pode cumprir a proposição bíblica de separar o joio do trigo, pois não há trigo. O mesmo acontece em outros atos da cena política, cujos atores podem ser tudo de bom, menos éticos e certinhos no trato relacionado com o poder, afinal o poder corrompe e, quando absoluto, corrompe absolutamente. Há de se lembrar Hanna Arendt que diz que a política corrompe o sagrado e o sagrado corrompe a política. O que significa dizer que no Congresso Nacional nada é sagrado, nem a mãe.

Nestes tempos midiáticos que mostram tudo desonesto, o Procurador da República, para atender os reclamos da mídia, tem que considerar tudo ilegal, ter sangue nos olhos para fazer o mal, caso contrário será severamente punido no espetáculo noticioso. Ela exige o pode ser e o será como fato consumado, mesmo sem processo formal ou julgamento. Mostram bandidos apontando crimes sem medir os interesse por trás da informação. A mídia simplesmente aponta a porta do xadrez para todos aqueles que participam da política, excluindo apenas seus mocinhos que, mesmo desonestos, devem parecer tão puro para o povo quanto a madre Teresa de Calcutá.

* Elcias Lustosa, doutorando na Universidade do Minho e Escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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