Socrática nudez moral. O rei nu por costume

Sócrates dizia que existe duas pessoas em cada homem, um é aquele que existe no ambiente doméstico, privado, enquanto o outro é o homem público que exerce papéis extra-lar. Singelo defende que todo ser humano é pleno de virtude, que sofre com a divulgação de seus crimes e delitos. Thomas Hobbes, porém diz que o homem é o lobo do homem e em cada um existe predisposição para fazer o mal, não se comportando assim por força do controle e punições severas adotadas pela sociedade organizada, ou seja, a governança do Estado.

Michel Temer apontado como o rei nu, da fábula, não sofreu a execração e penas que deveria receber na perspectiva de Hobbes pelo o fato dos atores políticos, seus pares, todos estarem na absoluta maioria, nus no Congresso. Na perspectiva socrática o nosso parlamento não passaria de uma ilha de nudismo, quando se abrem as portas da vida privada de seus integrantes. Haveria algumas, com raras exceções?

As orações de dignidade e moralidade na coisa pública produzidas pelos atores políticos, como aconteceu na suspensão do mandato da presidente Dilma, foram quase todas desmoralizadas poucos dias depois da abertura do Curriculum dos mesmos e ao ser publicado os afazeres privados dos probos e lídimos parlamentares. A maioria que mais se expôs a apontar o dedo em riste contra a chefe de governo eram portadores de recheada folha criminal com delitos não julgados por força de imunidade ou impunidade dos legisladores. Vejam a força exemplar de Aécio Neves e Eduardo Cunha no episódio.

Na verdade, os atores políticos, de modo geral, seguem o ensinamento de Maquiavel, que afirma que o importante para o governante não é o que é, mas o que parece. Enfim, a todos vale muito e é mais importante o que o ator consegue que todos o glorifiquem, pelo que sabem a seu respeito, não pelo são na verdade. Ao vencedor às batatas, como diz Machado de Assis. O sucesso e o êxito em qualquer campo de interesse público apaga todos os pecados e todos se devotam a amar o novo líder sem se atentarem para o que cometeu antes da vitória. É o que pregava Maquiavel e Hobbes.

Os pais da Pátria e os grandes líderes que terminaram a vida consagrados sempre são honrados com louvores pelos seus feitos, não constando da história, os seus crimes e delitos por ser esta a versão dos vencedores e escrita por seus bajuladores. As piores imagens sobre figuras históricas estão nos textos formulados pelos que destruíram seu papel nos principais acontecimentos sociais e políticos que marcaram sua retirada da cena pública.

O poder e a força de um ator político, já dizia o dr. Ulyssses Guimarães, está diretamente proporcional ao número de puxa-sacos que o seguem nos caminhos que traçam nos espaços onde se encenam o espetáculo do poder, onde o mais forte é coberto de glórias e os mais fracos são vilipendiados.

Elcias Lustosa

*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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