Desmonte do estado brasileiro

O processo de conturbação institucional do Brasil representa um verdadeiro desmonte da estrutura política da organização de nosso país como Estado, em especial, diante da falta de limitação das intervenções dos poderes em áreas e espaços, que não lhes são próprios e reflexões midiáticas de seus integrantes descabidas sobre ações, que devem ser adotadas, tornando circense, mesmo burlesca, como falou o ministro Gilmar Mendes, o desempenho de muitos atores nas redes de comunicação, com destaque nas redes televisiva.

A Suprema Corte muda as leis com mais frequência de que o próprio Legislativo, como foi o caso, da decisão de adotar prisão para todos os que tenha perdido ação recursal na segunda instância, enquanto, juizes federais autorizam escutas e as divulgam gravações telefônicas ilegais, sem que a vítima de tais atos nada possa fazer. A questão de fórum no Brasil é mais confusa do que gestão de prostíbulo, pois qualquer juízo da mais insignificante província faz e acontece ao sabor de seus humores fundados em rumores e param serviços essenciais e suspendem decisões administrativas, como foi o caso da questão do preço da gasolina. É coisa típica do cabaré da Mãe Joana, não de uma nação civilizada.

Os trêfegos procuradores reúnem toda mídia nacional para desfilar o umbigo com um festival de anúncio de dramas e prisões, que nem sempre ocorrem por se encontrar distante de um fundamento jurídico ou elemento de prova concreto. Um juiz manda prender um cidadão por portar valor em dólares em viagem internacional é o mesmo que matar barata com uma bala de canhão. A decisão parece com aquela do marido traído que queimou o sofá revoltado por encontrar mulher transando com outro no mesmo. O cidadão continuou a portar seus galhos ou chifres feliz por evitar que sua ocorrência se dê na sala de sua casa. O tal Barata tinha possibilidade de gastar talvez 200 mil dólares no cartão de crédito sem limite, em diferentes contas sem que jamais fosse penalizado por tal conduta extravagante. Carregar o tal valor que portava foi prisão por ser um ato de burrice, não um crime.

O ministério público fabrica processo a partir de elementos questionáveis, que não foram autorizado por nenhuma corte de Justiça, como foram as gravações de conversa privada da ex-presidente Dilma e do próprio Michel Temer. Gravar e tornar pública é ato criminoso, como os casos em espécie, inclusive pelo fato de que poderiam tais conversações privadas representar tema que afetasse segurança nacional ou econômica, capaz de gerar grandes efeitos danosos em termos de interesse público.

O propinoduto quase mete no xadrez o presidente do maior partido político do Brasil, o senador Aécio Neves, que tal fênix ressurge das cinzas para povoar a cena pública com um encontro com o presidente da República e retorno ao Senado Federal. Na verdade, ele cumpriu dolorosa quarentena, mantendo silêncio piedoso, tal qual monge franciscano, para entrar novamente em cena como não tivesse acontecido nada. Conseguiu que a mídia o tirasse do horário nobre, deixando ele de ser o inimigo público número um de dois meses atrás.

A teatralização midiática está com tempo marcado para encenar nova peça para compor a agenda de seus espetáculos noticiosos, já os dramas engendrados pelas explosões de bombas das seguidas fases da operação Lava Jato, já não despertam entusiasmos do público, que se ocupa muito mais com o futebol e seus atores, como Neymar, com seus milhões de rendas semanais, do que com atores políticos, com imagem tão esgarçada, que não constitui agenda no cotidiano do povo brasileiro, que muito pouco se interessa pelo que acontece nos três poderes da república e seus atores, vistos mais bufões do que verdadeiros atores.

Elcias Lustosa

* Jornalista e escritor

 

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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