Dança da morte e mantras na previsão do fim do mundo

As pitonisas da morte anunciada ou do fim do mundo fazem estranhas danças midiáticas na construção de rituais e mantras que viajam pela imprensa como se fossem castigos que jamais acontecem. EUA e Rússia nunca chegaram a um conflito direto, mas o mundo passou o pós-guerra mundial, de 1945 até 1989, assustado com o seu fim, causado pelo uso de bombas atômicas que dariam fim à raça humana. A mídia se alimenta do medo e da desgraça a provocar temor no seu público, com a geração de factoides que ela própria inventa.

Em menor escala, por quase dois anos, os brasileiros viveram a agenda da morte anunciada, quando ganhou espaço na mídia a campanha que levaria a destituição da presidente da República. Foi o mantra do Brasil vai acabar. Sem apoio do Congresso, da mídia e com base em questionáveis pedaladas, que até hoje 99% do povo brasileiro não sabe do que se trata, a primeira mulher governante deste país foi expulsa, também, graças a sua decisão de encolher as verbas publicitárias da mídia, de acordo com a queda da audiência e da circulação de seus veículos, em especial jornais e revistas. O Brasil não acabou, estão, né, passado e presentes de brasílicos espantos, tudo segue como antes no quartel de Abrantes!

Para os leitores de um modo geral, temos de observar didaticamente o significado de agenda, que nada mais é do que o tema que absorve toda atenção do público e das comunicações coletivas. Assim, durante quase dois anos, houve um esvaziamento de toda e qualquer reflexão mais séria sobre o cenário político nacional, enquanto nossa economia mergulhava numa bancarrota que jamais vira em toda a sua história, pois o nosso PIB desde a República enfrentou dois anos seguidos de índices negativos.

No contexto atual, não houve presença popular para construção de reação contra os atores políticos, a não ser uma ou duas reações pontuais que jamais poderiam figurar como numerosas, mesmo para receber a denominação de multidão. Foram apenas arruaças nas ruas e praças com seus poucos panelaços , que atrapalhavam o sono das poucas crianças durante a noite em algumas cidades. Enfim, houve uma queda de um presidente e a substituição por outro desprovido de voto, sem participação pública, mas apenas de alguns atores políticos, que diziam abertamente que se Dilma fechasse as contas da mídia e não pagasse as dívidas governamentais com as empresas de comunicação ela cairia. Aí, ela caiu.

Agora, fora de cena, a rotunda derrota da votação de cassação provisório de Temer, a tragédia foi destronada, com uma estaca de madeira no peito, não havendo mais a draconiana fantasia de nova queda do presidente. Os monstros da mídia terão de combater outros fantasmas, para nutrir sua sede de sangue, pois Temer conseguiu desmoralizar todos os investimentos na sua derrocada com alto preço de alto custo pra o orçamento geral da União com gastos invisíveis e imprevisíveis, como a liberação das verbas parlamentar, as tais emendas, sempre usadas em negociações legislativa pelo Executivo, sem falar em outros agrados a prefeitos e governadores. Por falta de coisa melhor, vemos a mídia adotar temores gerados por dois passivos pacientes de um hospital psiquiátrico, governantes dos Estados Unidos e Correia do Norte, que fazem caras e bocas na teatral encenação do uso de bombas atômicas entre eles, com ameaças de trocas de mísseis capazes de gerar males que sobrariam para todo o mundo.

Elcias Lustosa
*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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