O trabalho danifica o homem

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O trabalho danifica o homem, afinal a capacidade criativa e a inteligência possibilitou substituir a força física pela energia provinda das águas, do petróleo, dos ventos, das plantas e, hoje, em menor escala, dos outros animais. O esforço físico continuado e extenuante com certeza causa grande prejuízos físicos e não raro, o homem submetido a atividade desta natureza, certamente morre mais cedo, tem mais problemas de saúde e alimenta-se inadequadamente, à medida que come muita gordura para substituir a grande quantidade de energia perdida. Não temos estatísticas, mas certamente os chamados “trabalhadores intelectuais” vivem muito mais do que os trabalhadores físicos. Enfim, trabalhar no sentido estrito, é sinônimo de burrice, além de matar mais cedo.

Todos que se reproduzem temem que os herdeiros sejam submetidos a maldição sagrada de “ganhar o pão com o suor do rosto”, daí impor rigoroso regime de escolarização para que se habilitem a obter os meios de sobrevivência sem esforço físico, sem gastar energia, obtendo renda a partir de sua competência intelectual. Aos rebentos adverte-se sempre que, se não estudarem, não darão para nada, vão servir aos outros e não se servirão dos outros, vão ser operário na construção, trabalhador na limpeza pública, doméstica, entre outras atividades que exigem apenas bom desempenho físico e pouco ou quase nenhum esforço de inteligência.

O setor industrial cada dia absorve menos mão de obra, enquanto cresce o emprego no setor de serviços, onde naturalmente menos se trabalha ou simplesmente não se trabalha no sentido bíblico da palavra. No processo de fabricação de um sapato, com a produção em escala de centenas de unidades, o obreiro apenas realiza uma pequena tarefa na construção do mesmo, isto é, costura o solado numa máquina, aliás, temos dificuldade para identificar o que o homem faz na fábrica de sapatos que não seja feito pela máquina. Mais, o homem hoje atua na fábrica muito mais no controle de qualidade do trabalho de equipamentos e complementando operações que eles realizam do que produzindo efetivamente.

Na agricultura, o trabalho é, acima de tudo, antieconômico, afinal o homem do campo pode ser sem terra, nunca sem trator. Praticamente, nenhuma atividade agrícola é economicamente viável sem utilização de máquinas e ferramentas em larga escala. Tecnologicamente, é mais fácil instalar um sistema de controle remoto para desempenhar a tarefa de um tratorista do que um daqueles utilizados em pequenos aviões de aeromodelismo. A produção de grãos, soja, feijão, milho, entre outros produtos, dispensa qualquer esforço físico, bastando um controle remoto a distância para corrigir algum descaminho das máquinas, por sinal, muito pouco, afinal o olho mágico do leitor ótico, aquele que retém a porta do elevador para que ela não esmague o usuário desatento, fará quase tudo. O trator aduba, semeia e colhe, com um operador, se for preciso, utilizando uma cabina com ar condicionado, geladeira e um bom aparelho de som, naturalmente sem suor no rosto.

A existência de fome em qualquer país do mundo é canalhice de seu governante, afinal qualquer centro de pesquisa acadêmica de alimento de certa complexidade, junto com pesquisadores de química e física, é capaz de produzir uma ração básica hidratável de custo mais baixo do que os gastos da iluminação pública das cidades que habitam os famintos. Uma sopa básica, com calorias suficientes, feitas com folhas de mandioca, casca de ovo, farinha de osso, além de outros produtos de baixíssimo custo, como já divulgado em centenas de reportagens e mesmo experimentado em comunidade carentes como também largamente divulgado, não permitiria que ninguém tivesse fome. Seria um pacotinho de farinha dissolvido em água, transformável em sopa de agradável gosto e saudável preço, pois produzido em escala custaria poucos centavos.

Para exercício das agências governamentais poderia ser feita uma pesquisas para verificar quanto de trabalho é necessário a um cidadão a fim de que ele produza o suficiente para atender suas necessidades. No chutômetro, talvez o desempenho de qualquer atividade por três ou quatro horas é mais do que o suficiente para atender o básico de uma família de quatro pessoas. O que significa dizer que o Estado deve reordenar suas ações para o ócio, atuando no sentido de que mais do que trabalhar o cidadão precisa usufruir da sua possibilidade de nada fazer. A jornada de trabalho pode ser reduzida para algo inferior a 4 horas, afinal há cem anos trabalhava-se 10 a 12 horas e hoje trabalha-se em média 6 horas, o que é muito e socialmente injusto por desempregar muita gente.

Não havendo dúvida de que o trabalho danifica o homem e que ganhar o pão com o suor do rosto mais do que um castigo divino é burrice, cabe ao Estado reavaliar seu papel e eleger o ócio como preocupação primeira às políticas públicas. O essencial é reduzir ao máximo a jornada de trabalho a fim de que haja pouco trabalho para todos ou se possível nenhum trabalho para a maioria. Deve prevalecer como atividade fundamental para o bem estar público funções lúdicas, como a música, a poesia, a pintura, o esporte e tudo o mais que represente prazer e nenhum desgaste físico e emocional.

Elcias Lustosa

*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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