De topada, em topada se chega a queda

A degradação política de Temer me lembra a história do lorde inglês que fumava
 seu cachimbo especial depois do almoço, no convés do navio apoiado na murada, quando prestigimoso marinheiro chamou sua atenção para ter cuidado com o cachimbo, fazendo-o abrir a boa para um indefinido.

– ham!

Lá se foi o belo cachimbo para o fundo dos mares, enquanto o ouvido do marinheiro era aquecido pelos palavrões bradados pelo nobre britânico que perdeu a compostura. Aliás, ninguém ganha de Aécio Neves no ramo, pois ele venceu com vários corpos de distância do segundo colocado Ciro Gomes. Quando tal competição foi feita para disputar no Jóquei Clube quem venceria em atuação de baixo nível, assim os dois citados fizeram lá treinamento como sócio-atleta. Sem emprego, logo mais, o herdeiro de Tancredo Neves dá curso de pornografia para não perder o lugar para Ciro que vem ainda com todo fogo.

Por outro lado, o presidente Temer derruba o cachimbo, afinal, nenhuma de suas respostas convencem a ninguém, além de representar a sensação de que aumenta sua culpa, como o caso do marginal acusado de furtar numa empresa oferecer informações só conhecida por alguém que praticasse o delito. De qualquer forma, ninguém se cura ou cura com a voz, a não ser pastor, nenhum político se cura de seus males através da palavra.

Em verdade vos digo, há muita força no poder da voz, no discurso, embora o uso de simples palavrões não ofereçam bons resultados, apesar de não cheirar bem. O palavriado de baixo calão não é capaz de despertar apoio ou compaixão em benefício das vagabundagens e tenebrosas negociações construídas no mundo político. Outro dia, segundo contou um amigo, vários políticos com e sem mandatos, se encontrava no salão verde da Câmara quando um gozador gritou:

– Olha a Federal!

Houve uma debandada geral, com rapidez contida para não parecer em fuga, nem lentidão excessiva para correr o risco de serem alcançados. Este é o clima que se sente em Brasília nas rodas políticas. Nestes ventos sombrios e frios que metem todos os políticos num congelante e assustador calvário para evitar qualquer trapaça do destino ou atenção do olhar dos lavadores que lançam seus jatos fulminantes contra quem fez ou faz política usando modelos que, na verdade, são crimes.

Já se tornou exaustivo o desmonte das figuras dos três poderes da república com mais de de dois anos de atraso e prejuízo para toda nação, sem que haja qualquer perspectiva de que venhamos a vislumbrar um céu azul ou a luz no fim do túnel. Afinal, parece que há uma certeza de que a nação brasileira esta à beira do abismo e nada mais falta para que se pricipice abaixo com um desmantelo geral.

Quem dará o último empurrão?

Elcias Lustosa

*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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