A arte de fazer inimigos e afastar pessoas

Em toda reunião, seja de trabalho ou familiar, há sempre um alívio e um prazer especial pela honra da gratificante ausência de alguém que deveria estar presente por força de pertencer ao grupo. O drama, contudo, é encontrar meios para tornar a ausência uma constante, não um evento esporádico. É aí que entra a arte de fazer inimigos e afastar pessoas.

O eleito, quase sempre, é aquele cidadão que fala alto na defesa de suas teses irrelevantes, dirige olhares libidinosos para as mulheres presentes ou, simplesmente, consegue desagradar a maioria, mesmo se mantendo em silêncio. Pode nem ser um chato, mas tem o dom particular de aborrecê-lo, embora possa eventualmente agradar a outras pessoas.

A primeira atitude a ser adotada para afastar uma pessoa é fazer comentários desastrosos sobre ela, dizendo o quanto lhe desagrada, para alguém da intimidade e grande amizade do eleito, com o cuidado de pedir segredo, o que dará mais velocidade a transmissão de suas observações. Depois, ao ser abordado pelo infelicitado, não se defenda, manifeste desagrado e aborrecimento contra o responsável pela inconfidência.

Se a primeira medida não surtir efeito necessário, com o cidadão insistindo com sua presença, amplie o leque daqueles das relações dele repetindo os comentários desairosos e faça outros ainda mais veementes, dizendo de todos seus maus sentimentos em relação aquele que pretende longe de seu convívio.

Outra alternativa ainda mais eficiente é manifestar sua opinião contrária a um interesse específico do escolhido, melhor ainda se for uma promoção funcional, uma transferência, qualquer coisa que afeta ganhos e bem-estar. Com algumas informações, todo mundo é capaz de fazer um bom arrazoado que pode prejudicar a parte mais sensível do corpo humano, o bolso.

Para consubstanciar o afastamento, jamais se defenda quando for procurado por ele, permitindo-se, no máximo, lamentar que aquela é sua opinião e não tem nenhum motivo para mudá-la. Mais ainda, não participe de qualquer roda que o escolhido esteja presente e o cumprimento, se for inevitável, apenas de longe e com um leve aceno de mão e se afaste se ele se reunir ao grupo.

Uma situação mais complicada é a presença do indigitado em um restaurante e se aproxima de sua mesa com o firme propósito de sentar-se e incomodá-lo. Quando ele pegar o espaldar da cadeira, você pede desculpa e informa que se trata de um encontro muito particular, uma questão de família a ser resolvida. Procure falar com a voz firme e rude, sem se abater com o olhar de espanto de quem esteja presente à mesa.

Caso esteja sozinho no bar, peça que a vítima retire-se da mesma forma, argumentando que espera alguém para uma conversa muito especial e grave, de seu particular interesse e que a presença dele implicará quebra do clima e, inclusive, intimidará o seu convidado(a). O resultado será ainda mais eficiente se efetivamente não surgir ninguém em caráter especial

O exercício da arte de fazer inimigos e afastar pessoas, na verdade, reclama um tratado, afinal os chatos, as pessoas que incomodam e aborrecem, sãoresponsáveis por grande prejuízo a nossa qualidade de vida e, em caso extremo, capaz de produzir até infarto. Assim, a arte de fazer inimigos e afastar pessoas é um exercício dos mais eficientes para o trato de sua saúde, muitas vezes com resultados terapêuticos muito melhores do que um calmante, um antidistônico ou mesmo um vasodilatador. Portanto, ponha em prática. É bom.

Elcias Lustosa

*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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Uma resposta para A arte de fazer inimigos e afastar pessoas

  1. Rosa Maria carvalho Lustosa da Costa disse:

    É verdade, mas o pior é que nem sempre podemos fugir dos chatos e inconvenientes, principalmente quando possui parentesco proximo

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