Deserto do real ou túmulo do imaginário

Um triplo fenômeno abala a cultura cibernética que começou com Marshal McLuhan, com a Torre de Babel,  segue com Fukuda continua segue com fim da historia, e é  coroada pelo deserto do real por Zivet Zavat com o deserto do real mostrando o despovoamento do imaginário para construção de um mundo super multivisualizado por milhões de acessos de olhares em câmaras diferentes. É todo mundo vendo tudo e tudo vendo todos. É o desmantelo de tudo que foi imaginado que se poderia sonhar para a Babel fatal da opressiva realidade.

A crise política brasileira mais do que envolto em corrupção, matou o imaginário da população com a destruição de todos e qualquer ator que pudesse construir sonhos ou realizar fantasias. Assistimos o martírio de todos os heróis e guias das grandes travessias sem que no panorama geral surgissem um mísero ator a quem se pudesse entregar a tocha olímpica para conduzir o povo brasileiro a seu destino. O operário que chegou navegando os sonhos do povo no inicio do século foi desmontado como grande ator e junto deles seus pares na utopia proletária que mudou o país no inicio do século.

Em São Paulo, havia a figura heróica e um tanto messiânica de Eduardo Suplicy que permaneceu no palco da mídia por quase quarenta anos e foi afugentado pela nova media construída pelo ciberespaço enquanto os gaúchos recolhiam a dura aposentadoria o velho Pedro Simão. Para ficar só nos dois não houve lar, nem ninguém que o substituísse, nem o reconstruísse, aconteceu o que fala Caetano Veloso da força da cibernética que ergue e destrói coisas belas, nada pondo no seu lugar. Vejam o caso dos Estados Unidos e França.

Em São Paulo surgiu, por erro de cálculo, o João Doria que parece serviço de reforma de prédio mal acabado com dimensões incompatíveis com a necessidade do seu uso. Ele representa o político que nunca teve voto para ser candidato a coisa nenhuma, nem teve prestígio eleitoral para merecer nomeação de cargo importante na máquina pública. Toda a vida foi sempre um projeto que não deu certo ou irrealizável e agora surge com propostas mirabolantes sem merecer atenção que vá além dos murros da cidade de São Paulo.

O vazio do real nos torna susceptível de mergulhar, a exemplo da França e Estados Unidos, numa proposta absurda como aconteceu naqueles países diante da total ausência de atores políticos capazes de construir um projeto prospectivo destinado a povoar os sonhos de seu povo para  um futuro melhor, já que com as figuras atuais não se pode pensar nem mesmo em futuro, pois se desconhece o real, alias como aconteceu com eles.

Elcias Lustosa

*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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