Fim da torre de Babel

Depois da pirâmide e da pirâmide invertida os jornalistas estão a se deparar com a queda da torre de Babel, com efeito mais drástico que a derrubada das torres gêmeas do WTC, em Nova Iorque. Há algo mais devastador para a humanidade que é o fim do muro das línguas. Hoje observamos o fim da ideia do tempo, quando temos a presença viva do passado como se estivesse acontecendo agora, criando confusa relação do virtual com o real. São entrevistas, apresentações e shows de pessoas mortas com a mesma natureza e singeleza da atualidade. Chaves, Chico Anísio, Airton Senna e tantos outros estão presentes mais do que nunca e muitos não têm ideia precisa se existem ou não. Quando comecei no jornalismo há 50 anos era comum encontrar foto de Getúlio na sala de casas rurais e os moradores a afirmar que era o presidente mesmo morto há mais de dez anos.

A ideia espacial foi suprimida com as mesas redondas com a presença ao vivo de pessoas em diferentes lugares do mundo. Tomo café da manhã com minha filha em Brasília e a noite falo com a ela de Nova Iorque ou Paris suprimindo a ideia de espaço. Estamos no mesmo lugar ao mesmo tempo no emaranhado de coisas reais e virtuais. Vejo estudante falar com um amigo no Japão como se fosse colega de classe sem que nenhum dos dois use a mesma língua. É a queda da torre de Babel ou a retirada do capacidade do Deus dos Hebreus de punir aqueles que queriam disputar com ele o poder celestial.

Entro em loja em Orlando e o vendedor me atende com o celular na mão e o que digo em português é traduzido para inglês rompendo a barreira da língua. Poderia falar em árabe, mandarim, russo ou qualquer língua e o resultado seria mesmo. Isto usando o pequeno aparelho celular. Aquele assustador desvendar o mundo descrito por Platão no mito da caverna vai sendo atingido e cada vez mais pelo homem está mais despido. Cada vez mais todos estão se olhando e sendo olhados, num desnudamento que não se pode dizer no que vai dar, embora haja o drama de quem está saindo da caverna e levando milhares de pessoas para o obscurantismo como é o caso dos militantes do Estado Islâmico. O rompimento da barreira do tempo e espaço dá margem para que fundamentalistas não aceitem o processo evolutivo e partam para ações violentas com repetidas tragédias na África e na Ásia que não despertam tanto pavor pois envolvem pessoas e lugares invisíveis, pois o rompimento do tempo e espaço ainda não chegou lá. Estes ainda estão na caverna de Platão e não sai visíveis.

Elcias Lustosa

*Jornalista e escritor

 

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
Esse post foi publicado em Atualidades, Sem categoria e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s