Sem luz no fim do túnel

Nos momentos mais difíceis enfrentados pelo Brasil, tínhamos sensação de que não havia luz no fim do túnel, mas a coisa hoje é diferente, pois temos absoluta certeza que não há fim e o ato de encerramento é trágico. É como o filme que morre o piloto do avião e é preciso alguém para substituí-lo até o pouso seguro. O drama é que não há ninguém que o passageiro confie em entregar o leme da aeronave e certamente prefere saltar de paraquedas, instalando-se o tumulto por não haver equipamento para todo mundo.

Jamais o Brasil enfrentou uma crise tão dramática em sua história, com queda no desempenho de sua economia somente comparável ao que ocorreu na crise de 1929, faliu o mercado mundial e fechou o mercado dos dois únicos produtos de exportação do Brasil, o algodão e o café, que tornou impossível qualquer atividade com o mercado internacional. A retratação da economia completa dois anos e é uma afronta se comparada a qualquer outra nação, pois gerada por uma roubalheira generalizada que jamais ocorreu em tal volume em qualquer outra nação do mundo. Atores no poder no Brasil roubam tudo e a todos descaradamente e fazem comentários que demonstram ser seus eleitores totalmente idiotas sem qualquer percepção do real.

A falta de vergonha é tanta que o próprio presidente se reúne às escondidas em horas tardias com um mafioso para acertar verbas de tráfego de influencia com a maior desfaçatez como se estivesse abordando questão de estado, chegando a detalhar o depósito de propina por um membro de sua quadrilha que se tornou deputado federal por força da nomeação de outro quadrilheiro da “carne fraca”, nomeado ministro da justiça, que jamais se mostrou qualificado nem mesmo para ser guarda de quarteirão (vigia noturno de porta de fábrica), conforme ficou claro pelos seus sábios comentários feitos no exercício do cargo.

A um olhar para um passado não tão distante observávamos que havia um certo pudor dos atores políticos no cuidado em preservar sua imagem diante do público, evitando ser acusado de crimes contra o patrimônio coletivo, e, quase sempre, qualquer acusação de tal natureza era objeto de processo na justiça, para que o acusador provasse sua acusação. Tais agressões chegavam a ponto de troca de violência, como morte a tiro, caso o acusador e acusado chegasse a se encontrar sem que houvesse nada nem ninguém que contivessem os ânimos. A honra se defendia à bala.

Hoje, ao que tudo indica, não há bala para se defender a honra de ninguém ou não há mais honra a ser defendida, pois a troca de agressões verbais pondo o fim as diferenças não vai longe. No Senador Federal, Antonio Carlos Magalhães chegou a atingir um colega com um tapa na cara em pleno plenário sem que o outro rividasse a agressão, embora tenha sido parente de um dos governadores assassinados por questões políticas e de honra.

Junto ao sepultamento da honra que vimos nos anos após o fim da Ditadura Militar estamos acompanhando agora o enterro da moral e dos bons costumes, tendo em vista que a força da repressão política deixou todos os ladrões a solta com toda a liberdade de cometer todos os crimes sem risco de penalidade alguma. A longa noite de terror, que mergulhou a cena pública brasileira liberou todas as ratazanas que se sentem seguras e confortável para continuar a roubar e furtar livremente.

Elcias Lustosa
*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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