Franquias da cracolândia: vidas em derrapagem

O plano de franquias da cracolândia do prefeito João Doria vai democratizar o problema dessa droga para uma área maior de Sampa a fim de que o povo da cidade conheça mais de perto seus problemas evitando que uma questão fique isolada em uma determinada área e não seja do conhecimento de moradores de outros bairros como os Jardins, Morumbi, Moema, Itaim Bibi, Ibirapuera, entre outros. Todo mundo tem que conhecer as dificuldades e os problemas de sua administração e saber como é complexa a condução dos estrangulamentos de uma cidade de mais de dez milhões de habitantes. Doria quer provar que tem crack para todo mundo.

Joãozinho, garoto esperto, já demonstrou idéias magníficas de equações dos problemas como foi o caso de se vestir de gari e fazer a limpeza das ruas. Pena que sua tarefa meritória tenha terminado logo, pois não foi suficiente para uma jornada garantidora de férias de fim de semana, ou seja, cinco dias, é o mínimo que se esperava dele. É hora do prefeito passar uma noite na cracolândia, outra, também, uma noite fiscalizando pontos de prostituição para evitar violência, ir patrulhar ruas que são ocupadas de madrugada por ambulantes, entre outras atividades ilegais do gênero, para manter o ritmo da campanha e ser presidente. Aliás antes que me esqueça, o mais importante é ele fazer o programa adote um dependente e levar um viciado de crack para a sua casa. Ele pode adotar um viciado por semana e deduzir parte do custo com corte dos gastos de seu gabinete.

Mas, mudando um pouco o rumo da conversa, os traficantes que abastecem o mundo com o craque são daqueles homens que desonram sua existência, como o caso dos dois brasileiros executados na Indonésia, com ampla aprovação popular. Há pessoas que não deveriam ter nascido para cumprir a trágica sina de uma vida que a tornaria responsável por grandes histórias de horrores. Para os católicos, o próprio Cristo com toda a sua bondade divina não se sentiu capaz de perdoar a traição de Judas e teria dito a ele que seria preferível não ter nascido amaldiçoando assim o ventre que o gerou.

Na cena política brasileira vemos personagens que desempenharam papéis causadores de grandes danos para humanidade, pois os crimes de falta de atendimento em hospitais, falta de segurança pública, assistência médica e todas as estruturas do estado falidas que geram mortes podem ser atribuídas aos governantes que assaltaram os cofres públicos dos Estados, como vemos, em Brasília, o caso de José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz, Joaquim Roriz e Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, entre outros. Estes criminosos não cometem violência menor do que um assaltante que entra em um bar no subúrbio para roubar alguns trocados do caixa, aliás, apenas a estética simbólica da violência não marca com sangue a via pública, mas mancha a alma de todos aqueles que sofrem nas intermináveis filas das instituições de atendimento público.

Suzane Richthofen cometeu atos que até Deus condenaria o ventre que a gerou, porque foi capaz de destruir seu próprio futuro e deixar registrada uma herança maldita que acompanhara sua história pessoal até o resto dos seus dias. O fim da temporalidade não apaga nenhum crime e como há mais de dois mil anos dizia Sócrates quem comete tal ato terá que conviver como um criminoso até seu último dia de vida, lembrado pela mídia.

O viver tem sua significação especial para o vivente a medida que ele pode caminhar sem temer a estrada, pois fez da vida uma linha reta não deixando para trás grandes dividas nem grandes marcas. Nossos antepassados falavam no exemplo a ser seguido que nada mais era que a modelagem de condutas nobres e honradas que deveriam sempre constituir princípios de conduta dos homens, o que leva a lembrar Sócrates quando disse que ninguém mata outra pessoa por não querer passar todo resto da vida vivendo com um criminoso, ele mesmo. O modelo Socrático é aquele que em nossa consciência sabemos como queremos ser vistos por todos.

Elcias Lustosa
*Jornalista e escritor

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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