Fim do mundo: era cibernética

Já não tão turbinada quanto antigamente, quando a negrada não andava agarrada com seus tablets, iPhones e outros eletrônicos, a televisão não mais liga todos ao mundo. Ninguém precisa mais daquele trambolho imenso e incomodante na sala de visita. Os adolescentes e pré se recolhem em suspeitas atividades como nas antigas, mas se voltam para um mundo virtual que nós não entendemos e geralmente se incomodam quando tomam conhecimento da nossa curiosa presença a olhar as coisas com que eles se ocupam. Se chegar perto já se irritam logo se armando em posição de tiro como mocinho de faroeste (que velharia, mais retrógrada!). Nada de perguntas é o melhor que se faz, pois apenas a presença já é um questionamento idiota sem que se precise que ninguém abra a boca. A resposta dos infantes é aquele desprezível olhar de quem vê e examina um extraterreno a ser recolhido a um laboratório para ser melhor identificado como espécie rara.

Outro dia minha neta aos 13 anos, Duda, pediu que a mim desculpas por minha mulher ter se atrasado por mais de uma hora para jantar comigo em casa por causa dela, então informei que não perdoaria e ela teria que dormir fora de casa. A mocinha se vira para a vó e simplesmente diz: o vovô pensa que é o Sol! Informado do comentário, então matutei que a cibernética adolescente estava me acusando através da nova estética virtual de ter o rei na barriga, afinal, dificilmente na minha geração alguém poderia pensar que um ser iria se pensar tão importante quanto o Sol. Na verdade é um pequeno marco no jogo simbólico da estética do ciberespaço que nos leva a reconstruir o mundo a partir de um novo olhar que também reinventa o homem.

De qualquer maneira, o certo é que todas as crianças, a partir dos seis meses, passada a inquietação da vida extra-uterina, entra no processo da viagem na vida plugada na internet, quando colocam em suas mãos uma tela a mover as imagens com seus minúsculos dedos quando, então consegue ficar em paz. Há coisa de pouquíssimos anos os bebes ficavam calmos com uma mamadeira ou uma chupeta, mas hoje toda quietude somente é possível através das telas dos eletrônicos, que facilmente se tornam grandes concorrentes das mamas maternas. Não tarda os meninos começaram a berrar celular, choramingando assim eu quero o celular e não que quero mamar.

Meu entardecer ocorre diante de um novo mundo que viu o funeral da Política com a fantasmagóricas figura de Macron, na Franca, que se inventou, sem partido politico e Trump que se fabricou sem políticos, depois do enterro das ideologias com o funeral marxista com a queda do muro de Berlim, em 1989. Na hecatombe dos novos tempo se deu a consagrada inversão da Torre de Babel apregoada com Marshall McLuhan e o fim passou a ser o meio com a interação do receptor ao emissor no processo do fim da História do Fukuyama. Eu como filósofo do fim do mundo anuncio o fim da era contemporânea e prego: A ERA CIBERNÉTICA.

Elcias Lustosa

* Jornalista, professor e escritor com dez livros publicados

Sobre elciaslustosa

Redator político dos jornais de maior circulação do país há cerca de cinquenta anos, trabalhando como jornalista profissional e comentarista de assuntos políticos e econômicos. Desenvolveu também atividade de promoção de eventos com empresas de sua propriedades ao longo da vida.
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